
Após o mês de Março que foi francamente terrível e passado parte dele deitado é que chegou aquilo que eu apelido de convalescença. Comecei a dar valor à vida, a achar importante o voo do melro observado a partir da janela do meu quarto. Sabem a maravilha que é ver a folhagem de uma árvore despontar lentamente com o crescente apelo da Primavera? É um espectáculo que só os doentes têm paciência para observar pois têm tempo a perder (ou a ganhar) olhando tal fenómeno. E isto fez-me suportar a doença. A propósito observem esta obra de Bayard, intulada a Convalescença. Muito interessante pelas linhas de fuga, pelo segundo plano dado pelo soldado à direita e pela fuga para outro espaço dada pela janela aberta com um pouco de paisagem. Sim, O Paraíso é uma questão pessoal.
E o que se perde estando em casa quando não nos é permitido observar o mundo nas suas várias vertentes.
Veja-se o dia que se perde quando não sabemos ou não podemos olhar com olhos de ver o voar calmo de uma gaivota que com o por-do-sol se está a preparar para passar a noite numa rocha ou abrigo que lhe dê protecção. De casa não conseguia observar isto. Vale a pena pois para mim, uma paisagem destas é inolvidável. Assim, O Paraíso é uma questão pessoal.
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