domingo, 25 de março de 2012

Que Paródia de Estado



Mais um número saborosíssimo de A Paródia, datado de 24/1/1900. A Finança é aqui representada como um grande cão, com as patas traseirasfrente aos Jerónimos e as patas dianteiras na outra banda, p'ra ali para Espinhaço de Cão. O canídeo olha para uma barrica, rebentada de onde emergem alusões aos selos, tabacos, fósforos, tarifas e impostos. Já naquele tempo o tabaco servia como fonte de financiamento (eu não fumo). Mas as tarifas e os impostos é que geravam o grosso das receitas (os bolos que se dava ao cão). Um comentário, incisivo, de Rafael Bordalo Pinheiro dizia que por mais bolos que lhe deitassem, o raio do cão não morria. Agora, 112 anos volvidos, estamos submergidos por taxas e impostos. Continuamos a dar bolos e o raio do cão não morre e, espanto dos espantos, até engorda.
O líder do PSD disse hoje no congresso do PSD que o facto de ficar registado na Lei de Enquadramento Orçamental, que não se pode ter um deficit superior a 3% faz com que no futuro quem quiser descer impostos tem que pensar onde irá cortar despesas do Estado. Por outras palavras, o que este e outros governos passaram a esbulhar, perdão, a cobrar, não é reversível. Veio para ficar. E o IVA estava a 17% no tempo da Ferreira Leite. mas quando isto estivesse melhor, dizia ela, tornava a descer. Vê-se e ouve-se. E o raio do cão que não morre. O Paraíso é uma questão pessoal e estes desenhos são um paraíso mas não consta dele nenhum cão.

Sem comentários: