O Arqueólogo Zahi Hawass disse há tempos que acreditava que cerca de 50% do Antigo Egipto estaria por descobrir. Com o seu chapéu a imitar muito Harrison Ford nos Salteadores da Arca perdida, a verdade é que não podia estar mais distante daquele personagem dados os métodos científicos que defende. Como vive no século XXI acredita (e bem) que a arqueologia deve ser publicitada para conseguir recursos finaceiros e como meio de preservar o património descoberto. Agora a última notícia é a descoberta da chamada Quarta pirâmide. Aqui segue a notícia transcrita da agência noticiosa
"A quarta pirâmide de Gizé
Zahi Hawass "reconstrói" para o pequeno ecrã um monumento que se achava perdido.
As autoridades egípcias propõem-se abrir ao público, em princípios de 2009, aquilo que resta do que se diz ser a quarta pirâmide de Giza (pronunciar Guiza), construída pelo faraó Dyedefra. O Canal de História mostra-a em Setembro.
O anúncio foi feito no Cairo, pelo mediático arqueólogo Zahi Hawass, secretário geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egipto.
"O mistério desta pirâmide era saber-se se a sua construção chegou a ser concluída. Nós confirmámos que sim. Era a pirâmide mais alta do complexo de Giza (onde se erguem as pirâmides de Khufu ou Keóps, Quéfren e Miquerinos)", disse o egiptólogo aos cerca de 30 representantes de órgãos de Imprensa e de operadoras de televisão de dez países, reunidos num secular e lendário hotel apalaçado, construído à sombra da Grande Pirâmide de Khufu.
Trajando formalmente, sem o emblemático chapéu que lhe granjeou o cognome de "genuíno Indiana Jones" ou "Indy" - e com o qual surge amiúde em documentários televisivos no domínio da egiptologia -, Zahi Hawass falava no âmbito do anúncio do documentário "A Pirâmide Perdida" (título que sugere uma espécie de subtil paragrama da "Arca Perdida" do Indy da ficção), que o "Canal de História" apresentará mundialmente em Setembro próximo.
A equipa de Zahi Hawass diz que o filme dará a conhecer a redescoberta da pirâmide mandada construir pelo faraó Dyedefra (filho de Khufu), que reinou no Egipto de 2556 a 2547 antes de Cristo, ou seja, há mais de 4500 anos. Anthony Geffen, responsável pela produção do documentário - que, com o egiptólogo Hassan Abd El-Razek, serviu de guia aos jornalistas numa visita aos vestígios da "Pirâmide Perdida" - esclareceu que o projecto (escavações/documentário) decorre "há três anos, tendo as filmagens sido iniciadas oito meses depois do começo [do projecto]".
"Durante os últimos 12 anos, procedemos a escavações e ficámos a conhecer grande parte da história da IV Dinastia, as lutas pelo poder e parte do segredo da construção das pirâmides", disse Zahi Hawass aos jornalistas. "Há milhões de pessoas que nunca virão ao Egipto. Portanto, temos o direito de lhes entrar em casa (através da televisão)", acrescentou o egiptólogo, que tem os turistas como os grandes "inimigos da arqueologia", uma vez que, na sua opinião, são eles quem "mais prejudica a preservação do património do Egipto".
Os vestígios desta quarta pirâmide de Giza, visitados já em 1839 pelos britânicos Howard Vyse e John Perryng, foram, durante muito tempo, considerados como uma obra inacabada. Encontram-se num pequeno planalto rochoso de Abu Rawash, em zona actualmente militarizada e de acesso restrito. Há registo de que os egiptólogos franceses, Emile Chassinat, Pierre Lacau e Pierre Montet também estiveram nesse local, em meados do século XX, mas as escavações sistemáticas só foram iniciadas em 1995 por uma missão arqueológica franco-suíça, dirigida por Michel Valloggia.
Segundo a equipa chefiada por Zahi Hawass - na qual se incluem os egiptólogos Peter Brand, da Universidade de Mênfis, e Salima Ikram, da Universidade Americana do Cairo -, a pirâmide de Dyedefra era idêntica em grandeza à pirâmide de Miquerinos (a mais pequena das três pirâmides de Giza) mas, por ter sido erigida em terreno elevado, ultrapassava em 7,62 metros a altura da pirâmide de Keóps, que tem 146 metros (mais ou menos a altura de um edifício de 40 andares).
Tal como a pirâmide de Khufu, também a de Dyedefra foi constituída com blocos de dolomite (calcário) e de granito vermelho da região de Assuão, a 800 quilómetros a montante, no rio Nilo.
Do alto de Abu Rawash, daquilo que resta da "Pirâmide Perdida" - actualmente reduzida a uma elevação de terreno com cerca de 10 metros de altura -, divisa-se na névoa amarelada que cobre o deserto, sob o fundo incendiado do céu, a presença eterna das silhuetas rosadas, envolvidas na luz, das pirâmides de Khufu, Quéfren e Miquerinos. "A pirâmide de Dyedefra estava coberta de granito polido e por uma liga de ouro, prata e cobre, que resplandecia ao Sol como símbolo de poder", dizia Anthony Geffen, apontando os vestígios do monumento, ao mesmo tempo que erguia os braços como se desenhasse no ar ardente do deserto as faces imaginárias dessa pirâmide. Horas antes, na penumbra do feérico salão Al Haken do hotel Mena House Oberoi, Zahi Hawass recordava que, na época da romanização, os monumentos do Império Antigo egípcio foram reciclados para outras construções.
Enormes, disformes e esmagadoras (como as três pirâmides conhecidas) ou desaparecidas e imaginadas (como a de Dyedefra), o que mais surpreende nestes monumentos é o mistério: uma espécie de mudez e de segredo que espanta". 7/7/2008 Carlos Gomes
Ai se esta moda de preservar o patromínio e de o divulgar aqui no nosso Portugal pega. Afinal O Paraíso é uma questão pessoal.
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