terça-feira, 19 de agosto de 2008

O País que somos e o País que temos

Repare-se na alta sensibilidade de muitas das pessoas que dão autorizações para se construir ou dos funcionários que constroem. Na Lourinhã, terra de muitas descobertas arqueológicas de outros períodos, apareceu um poço da época moderna, datável do século XVI. E qual foi a medida tomada? A sua rápida destruição. Ficámos todos mais pobres com esta falta de cultura. É verdade que há legislação para este tipo de acções mas também é verdade que raras vezes é aplicada.

Leia-se a notícia abaixo oriunda da Agência Lusa:
"Achados arqueológicos destruídos na Lourinhã
Um poço, que os arqueólogos do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR) acreditam ser do século XVI, foi descoberto e imediatamente entulhado durante os trabalhos de fundação de uma obra particular na Lourinhã.
«Seria um poço da Idade Moderna, portanto dos século XV ou XVI», confirmou a arqueóloga Sandra Lourenço, do IGESPAR, cujos serviços jurídicos estão a analisar o caso e a ponderar mover uma acção judicial contra o dono da obra, para «apuramento de responsabilidades».
Os colaboradores do Museu da Lourinhã, Isabel e Horácio Mateus, foram os primeiros a aperceber-se da importância arqueológica do poço. «Tinha uma estrutura bastante grande e uma cobertura em ogiva, com tijolo de burro e várias bocas de fornecimento de água, e achámos que tinha interesse», explicaram.
Perante o avanço da obra e a «falta de sensibilidade» do empreiteiro para a existência de potenciais achados arqueológicos, o Museu da Lourinhã denunciou o caso ao IGESPAR, cujos técnicos estiveram no local, mas já só encontraram a cobertura do poço destruída e este entulhado de betão.
O arqueólogo Mário Varela Gomes, da Universidade Nova de Lisboa e colaborador do museu, considera também estar-se perante «uma estrutura do século XVI ou XVII devido à tipologia da própria construção», muito comum na Estremadura, dada a influência islâmica. Uma escavação no local seria «interessante para escavar outros objectos que aí caem», como cântaros em cerâmica, moedas ou até esqueletos», que viriam enriquecer o espólio do Museu da Lourinhã, apontou o também vice-presidente da Associação de Arqueólogos Portugueses.
O proprietário e empreiteiro da obra, Armando Matias, recusou-se a prestar declarações e apenas esclareceu que a construção está devidamente licenciada. A obra não foi embargada pela câmara municipal.
Segundo os investigadores, o poço e outros que já não existem, mas que se sabe da sua existência, teriam sido construídos quando o assoreamento do mar, no século XVI, permitiu à população da Lourinhã instalar-se na zona baixa da vila e construir sistemas de retenção de água para tirar partido de um importante lençol freático, que ainda hoje aí existe, e regar os campos agrícolas.
A Lei do Património Cultural Português prevê que todos os bens de interesse cultural devem ser salvaguardados e sujeitos a protecção especial por todos os cidadãos, sendo a sua destruição punível pelo Código Penal com pena de prisão até três anos ou multa equivalente a 360 dias. Diário Digital / Lusa "

Afinal neste País que temos, O Paraíso é uma questão pessoal.

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